quinta-feira, 24 de abril de 2014

A DIALÉTICA DO MAR

No oceano abissal,
surge a cratera de cor,
O coração demarcado pela luta,
E os olhos angustiados pela dor!

Ao olhar suas águas cristalinas,
Não imaginam o que nele se esconde,
A impureza da jovem menina,
E a alma homogênea se confunde!

Seu líquido de plasma,
sua nascente de jasmim,
Mostram que há esperança
naquele extenso azul marfim!

Na claritude celeste,
jorra sangue nas águas insípidas,
Na legião que a tudo supera,
As águas amarguradas pela injúria,
Flutuam beleza de uma vida mútua!


CAÇADORA DA VIDA





QUE HOMENAGEM GENEROSA

PRESTA A VIDA AO ME FAZER!


QUE LAÇOS FRATERNOS
COM A VIDA QUE ME ACHA
E ME PERDE E ME

ENCANTA A ALMA.


QUE SONHOS LÚCIDOS

ENROSCAM MINHA VIDA!


QUE VONTADE DE GRITAR,
CHORAR, FALAR

QUE SAUDADES DE VIVER!

TRISTEZA VIVA




CANSADO CAMINHO DE ILUSÃO,
ABSTRAÇÃO DE SUPERFÍCIE SERENA,
UMA VIDA REGADA POR RÉPLICAS
QUE CONDENA
CONDENA
CONDENA!
(TATY TELES)

segunda-feira, 14 de abril de 2014


AS ÁREAS DE ATUAÇÃO DO ORIENTADOR EDUCACIONAL DIANTE DAS PERSPECTIVAS ATUAIS DA ESCOLA


RESUMO

Neste pequeno artigo retratar-se-á a importância do orientador educacional na escola e na sociedade como um todo. Seu trabalho é indispensável, buscando sempre mediar as relações e conflitos da escola com a sociedade, bem como dos planos e projetos democráticos da mesma. Além disso, atua muitas vezes como cientista social, auxiliando nas relações capitalistas e sociais que corrompem as famílias.
Palavras-chave: Democratização; Escola; Orientador Educacional; Sociedade.

1 INTRODUÇÃO

Vive-se em uma era de mudanças, a tecnologia está em evolução, a violência aumentando, na mesma proporção os problemas sociais e a educação melhorando aos poucos.
A escola, instituição de ensino, instrução, focada no ser humano, aprendeu a valorizar sua cultura, diversidade, direitos, aprendeu a tratar o homem como um ser que pensa e age, até certo ponto, é claro.
Para isso, surgiram dentro das escolas, um cargo a mais. Agora o educar, orientar, amar, resolver problemas sociais não ficou mais a cargo apenas de professores e gestores, dividem hoje esta responsabilidade com duas novas funções que surgiram para revolucionar a escola, são elas: supervisor escolar e orientador educacional.
Para muitos seu trabalho é apenas orientar, mas mostrar-se-á que vai além, é uma mão amiga para o professor que agora não resolve mais sozinho os conflitos psíquicos, sociais e existenciais que ocorrem dentro da sala de aula.
Neste pequeno artigo compreender-se-á quem é o orientador educacional, sua importância perante a escola e como ele pode contribuir para melhora-la, educação onde está inserido.

2 ORIENTADOR EDUCACIONAL


A cada dia que passa percebe-se com mais clareza a importância da educação na vida do homem.
Educar não é apenas ensinar alguém a ler e escrever, mas sim criar um cidadão crítico, capaz de sobreviver dentro da sociedade que tenta a todos corromper.
Segundo Luck (1992, pg. 67),


“[...] cabe à educação, estimular e promover a formação da consciência, ou seja, estabelecimento de identidade pessoal do homem e compreensão de seu relacionamento com o mundo. Este processo não pode ser considerado acabado e sim entendido como dinâmico e um constante “dever ser”. Deve despojar-se de preconceitos e subjetividade.”

Para que assim seja, a escola de hoje conta com um profissional competente, que trabalha não apenas com o ensino aprendizagem, mas como mediador dos problemas existentes entre pais X alunos X comunidade X governo, um orientador educacional.
São muitas as suas atribuições deste profissional, mas destaca-se as mais importantes:
  • Mediador das relações entre escola e comunidade
  • Auxilia o corpo técnico e pedagógico da escola.
  • Trabalha com questões inter-pessoais, ou seja, busca solucionar os problemas existenciais da escola.
  • É um agente de mudança, busca uma escola justa, igualitária e democrática.
  • Dentro das perspectivas atuais da escola, o objetivo do orientador educacional é:
  • Orientar o educando em seus estudos.
  • Ensinar o educando a estudar
  • Ajudar o estudante nos aspectos intelectual e emocional
  • Formar um cidadão mais justo, ideológico, fraterno e consciente.
  • Prestar assistência nas relações entre professor e aluno
  • Sensibilizar professores, diretores para que vezes sempre o desenvolvimento do educando.

  • Ajudar a criança a entender os paradigmas da vida, tais como a morte, amor, ódio, violência, a vida, relação entre os sexos.
Sobre esta última questão, Lewis (1993, pg. 112),


[…] Algo acontece nitidamente no desenvolvimento da criança, [...] sugere que tanto alguns aspectos quantitativos como qualitativos se consolidaram.[...] A criança não só aprendem novas habilidades motoras – por exemplo, andar de bicicleta – como, em algum momento, talvez em torno dos nove anos, exerce-as muito à vontade: habilidade “estalou”, tornou-se automática e estabelecida, uma ação não deliberada sem exigir qualquer espaço ou concentração.[...] a criança torna-se mais capaz de pensar abstratamente. [...] nasce a capacidade para o pensamento, fala, memória, é neste estagio que vários conceitos de inevitabilidade se tornam estabelecidos. As manifestações comportamentais ocorridas durante o período da latência são alterações psicossexuais e psicossociais, são modificadas por fatores culturais.”


O orientador educacional possui estas atribuições que auxiliam e muito no bom andamento da escola. Uma ajuda importante que a escola necessitava, agora junto com todos s pais, professores, alunos e gestores poderão buscar uma escola mais justa e democrática.


3 ASPECTOS LEGAIS

A 1ª Lei brasileira a falar sobre a Orientação Educacional foi a Lei 4244 de 1942. Seu cargo era de encaminhar os alunos para escolher uma boa profissão ajudando-os em seus problemas,
A última Lei e mais importante que fala sobre isso, é o Decreto No 72.826 de 26 de setembro de 1973.
Analisar-se alguns de seus artigos:

Art. 1º - Constitui o objeto da Orientação Educacional a assistência ao educando, individualmente ou em grupo, no âmbito do ensino de 1º e 2º graus, visando o desenvolvimento integral e harmonioso de sua personalidade, ordenando e integrando os elementos que exercem influência em sua formação e preparando-o para o exercício das opções básicas.
Art. 2º - O exercício da profissão de Orientador Educacional é privativo:
I – Dos licenciados em Pedagogia, habilitados em Orientação Educacional, possuidores de diplomas expedidos por estabelecimentos de ensino superior oficiais ou reconhecidos.
II – Dos portadores de diplomas ou certificados de Orientador Educacional obtidos em cursos de pós-graduação, ministrados por estabelecimentos oficiais ou reconhecidos, devidamente credenciados pelo Conselho Federal de Educação.
III – Dos diplomados em Orientação Educacional por escolas estrangeiras, cujos títulos sejam revalidados na forma da lei em vigor.
É importante saber que para ser orientador é necessário ter diploma, no entanto, em nossa sociedade atual o que importa é a politicagem e não o diploma e a competência.
O artigo 8º e 9ª falam das atribuições do orientador educacional que são:
a) Planejar e coordenar a implantação e funcionamento do Serviço de Orientação Educacional em nível de: - Escola - Comunidade
b) Planejar e coordenar a implantação do Serviço de Orientação Educacional dos órgãos do Serviço Público Federal, Estadual, Municipal e Autárquico; das Sociedades de Economia Mista, Empresas Estatais, Paraestatais e Privadas.
c) Coordenar a orientação vocacional do educando, incorporando-o ao processo educativo global.
d) Coordenar o processo de sondagem de interesses, aptidões e habilidades do educando.
e) Coordenar o processo de informação profissional e educacional com vistas à orientação vocacional.
f) Sistematizar o processo de intercâmbio das informações necessárias ao conhecimento global do educando.
g) Sistematizar o processo de acompanhamento dos alunos, encaminhando a outros especialistas aqueles que exigirem assistência especial.
h) Coordenar o acompanhamento pós-escolar.
i) Ministrar disciplinas de Teoria e Prática da Orientação Educacional, satisfeitas as exigências da legislação específica de ensino.
j) Supervisionar estágios na área da Orientação Educacional.
k) Emitir pareceres sobre matéria concernente à Orientação Educacional.
Art. 9º - Competem, ainda, ao Orientador Educacional as seguintes atribuições:
a) Participar no processo de identificação das características básicas da comunidade.
b) Participar no processo de caracterização da clientela escolar;
c) Participar no processo de elaboração do currículo pleno da escola;
d) Participar na composição, caracterização e acompanhamento de turmas e grupos;
e) Participar do processo de avaliação e recuperação dos alunos;
f) Participar do processo de encaminhamento e acompanhamento dos alunos estagiários;
g) Participar no processo de integração escola –família -comunidade;
h) Realizar estudos e pesquisas na área da Orientação Educacional.
A LDB, lei mais importante no que se refere a educação no Brasil, manteve conforme especificado no decreto acima.


3 CONCLUSÃO

O ato de educar é algo maravilhoso.
Ajudar a criança a descobrir o caminho correto com dignidade, ideologia, capacidade, habilidade são competências do professor que agora tem o auxilio do Orientador Educacional.
Foi gratificante e muito instrutivo analisar e conhecer um pouco mais sobre o orientador quer levarei para o meu dia a dia, pois quando deixar de seu gestora, me aprofundarei mais nesta questão e com certeza gostarei de exercer esta função, pois meu objetivo maior sempre foi lutar em prol dos oprimidos através da educação e esta é uma boa forma de lutar por aquilo que acredito.


4 REFERÊNCIAS

DECRETO nº 72.846 de 26 de setembro de 1973.
LEI de Diretrizes e Bases da Educação. Lei 9394/96.
LEWIS, Melvin, WOLKMAN, Fred. Aspectos clínicos do desenvolvimento na infância e adolescência. 3. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.
LÜCK, Heloisa. Planejamento em orientação educacional. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 1992.

terça-feira, 25 de junho de 2013

VIOLÊNCIA E AGRESSIVIDADE NA JUVENTUDE

A violência está tomando conta da sociedade Latino-Americana, e infelizmente o Brasil mais uma vez é o campeão em criminalidade.
É estarrecedor saber que as pessoas estão cada vez mais violentas, os jovens entregando-se aos vícios, a educação em decadência e os problemas sociais aumentando. Onde estão as autoridades que não olham para nossos jovens? E as instituições educacionais, estão cumprindo a sua função social? Quais as circunstâncias que levam um jovem a tornar-se agressivo? São estas e muitas outras perguntas que buscaremos responder neste pequeno artigo, visando à educação como agente de mudança, para que seja aplicado na prática o que diz o filósofo Pitágoras (570 a.C), “Eduque uma criança e não será  preciso punir o homem”.

1.    VIOLÊNCIA NA JUVENTUDE

Atualmente vive-se em uma sociedade onde a corrupção, guerra, desamor, desunião e a violência estão muito presentes. É comum ouvirmos e lermos noticiários de filhos que assassinaram seus pais, maridos que mataram esposas, brigas que acabam em tiroteio, tráfico de drogas, violência no trânsito, enfim, a sociedade está em decadência!
Ao analisar estes fatos, penso ainda mais sobre o nosso papel social como educadoras, pois somos agentes de mudança, podemos fornecer a nossos educandos uma vida saudável, baseada na qualidade da educação, sendo assim, fico estarrecida ao saber que muitos “professores” contribuem para a evolução da violência, seduzindo sexualmente ou moralmente seus alunos, através de chantagens e autoritarismo.
Pensamos que nada temos a ver com a violência, se não roubamos, não batemos, não consumimos drogas, então não somos violentos. Será mesmo? É claro que não! As palavras mal empregadas nos momentos errados, o exibicionismo, etnocentrismo, os olhares maliciosos, também são formas de violência.
Em certos momentos encontro-me filosofando: o que está acontecendo com a juventude brasileira? Conforme pesquisas realizadas pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (2008), é grande a porcentagem de jovem envolvidos em crimes como assassinatos, estupros, drogas, entre outros. A pesquisa diz que cerca de 40% dos homicídios dolosos ocorridos em nosso país, são praticados por jovens entre 18 e 24 anos, 11% por adolescentes entre 12 e 17 anos, ou seja, a juventude corresponde a 51% da criminalidade brasileira, sendo que 36% deste total são pessoas que fazem parte da classe media alta, conforme a pirâmide social.
É inacreditável que a maioria dos jovens que praticam crimes, pertencem  a classe alta da pirâmide social. Eles "naturalmente" já possuem tanta coisa e ainda querem mais, sempre correndo atrás de dinheiro e poder, ao serem presos acabam ganhando regalias, pois podem pagar, e ao saírem, cometem ainda mais crimes, têm a certeza que não serão punidos, o que não ocorre com o pobre. Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), filósofo e educador escreveu em sua obra “Do Contrato Social” algo para refletirmos:

“Não há liberdade sem igualdade, ninguém deve ser tão rico que possa comprar alguém, e nem tão pobre que possa vir a vender-se [...] o homem nasceu livre e por todas as partes encontra-se a ferros”.(ROUSSEAU, 2003).[1]

Ou seja, o grande responsável pela ruína da sociedade é o capitalismo que faz dos  nossos jovens, zumbis a fim de roubar para possuir bens materiais, dinheiro, luxo, roupas, sapatos, joias. Não podemos deixar de falar sobre o apoio negativo da mídia que psicologicamente seduz as pessoas para que comprem, consumam tudo o que ela mostra, e eles entendem que precisam obter tal coisa nem que para isso tenham que matar, roubar, espancar.
A juventude está sempre ameaçada pelas ondas do crime, quando saem para danceterias noturnas, acabam envolvendo-se em brigas, morte, prostituição, além de traficar e consumir drogas, muitos deles para consumi-la roubam de seus pais, familiares, vizinhos e depois lojas, bancos, vivendo como mendigos, foragidos da justiça, procurados pela polícia como criminosos e ao serem presos são mortos, estuprados, massacrados ou espancados em presídios.
Para contribuir com a má situação social do Brasil, agora surgiu outro tipo de violência, a do trânsito. Ao saírem para curtir a vida, como eles dizem, consomem entorpecente e grande quantidade de álcool, sem limites entram em seus carros, pegam as estradas, como se estivessem na Fórmula I, com velocidade altíssima e acidentam-se, perdem a vida, tiram a vida de pessoas inocentes, deixando para trás uma existência inteira e feridas que jamais serão curadas naqueles que os amam. Segundo estatísticas, 35 mil pessoas morrem por ano no país em razão de acidentes de trânsito. Desses, um quinto são jovens com idade entre 18 e 29 anos. 
Há também aquela violência causada por grupos, as chamadas gangues armadas, que para obter poder nas comunidades, aterrorizam a vida de inocentes, trabalhadores, enfim, da comunidade em geral. Muitos jovens para impressionar uma mocinha, para irritar seus pais, entram em gangues e acabam suicidando sua alma. Fídias Teles (2004), diz:

“[...] assim os jovens perdem a consciência critico analítica e o equilíbrio emocional, deixando-se conduzir por qualquer grupo oportunista e explorador. É assim que o mais supostamente equilibrado dos homens pode ser induzido a praticar atos dos mais irracionais, excitado por grupos revolucionários, cujos meios e finalidades não foram questionados por ele”.(TELES, 2004, p.95).[2]

Nos vem a seguinte pergunta: Qual o papel da escola e do educador na construção da sociedade? Podemos dizer que as instituições de educação não cumprem corretamente o seu papel social? Seu currículo precisa ser revisto? 
Educar vai além de ensinar, é preciso cuidar, alfabetizar, amar!


2.    AGRESSIVIDADE NA JUVENTUDE

O ser humano já é agressivo por natureza, é o que dizem religiosos, alguns estudiosos e populares, mas será mesmo? Rousseau nos diz que o homem nasce bom, puro, mas que é a sociedade que o corrompe. Se pararmos para pensar a história do homem desde a sua existência até os dias atuais, vivemos em eterna agressividade, pois não vivemos sozinhos, e sim em comunidades. Concordo com ele, pois nascemos bons, não há maldade em uma criança, mas no momento em que ela passa a ver o que acontece na sociedade, ela quer imitar, então a sociedade vai a corrompendo. A agressividade sempre existiu não tão intensa e deflagrada como agora, mas na idade da pedra haviam brigas, as guerras ocorreram com a evolução do mundo (sociedade), agressividade gera agressividade.
É muito comum vermos brigas entre amigos de escola, de casais, pais e filhos, brigas no trânsito e o mais impressionante é que mais uma vez o jovem é apontado como o mais agressivo. Bater, espancar, machucar, muitos acham legal, bonito, isso mostra poder, pobres coitados, isso só mostra como suas almas são pequenas e como precisam urgentemente de ajuda.
Para Fídias Teles os motivos da agressividade são:

“A civilização desenvolveu valores responsáveis pela intensificação da agressividade, posse, poder, prestígio, competição obsessiva e uma série de fatores patriarcais e escravocratas [...] a agressividade intensificou-se com a civilização e seus valores”(TELLES, 2004, p.143).[3]

Ou seja, mais uma vez a busca por poder mostra o porquê da agressão na juventude. Mas agora me pergunto: cadê a escola que não possui projetos para intensificar a conscientização e o desejo de mudança? Uma pergunta que espero estar respondida dentro do coração de cada educador, que como eu, deseja mudar a sociedade.

3.    CONCLUSÃO

Após meditar, ler, observar, concluo que se mudarmos a forma de pensarmos, talvez mudaremos a sociedade, mas se juntos aplicarmos na prática o nosso pensamento, com certeza teremos a mudança. Como educadora, faço e continuarei fazendo e tenho a certeza de que se não conseguir sozinha mudar alguma coisa, descansarei em paz, pois posso dizer que pelo menos eu tentei fazer algo.






[1] Rousseau, J-J. “Do Contrato Social”. 7ª edição. São Paulo - SP, Hemus, 2003.
[2] Teles, Fídias. “Dimensões da Angústia Humana” –Gráfica São Cristovão –Erechim –RS, 2004.
[3] Teles, Fídias. “Dimensões da Angústia Humana” –Gráfica São Cristóvão –Erechim-RS, 2004.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A ludicidade na educação infantil

A educação e sua eterna complexidade. Desde sua história, inúmeros conceitos e concepções surgiram. Criou-se a educação infantil, onde de início, era um local, um ambiente para apenas cuidar de crianças, não visando seu desenvolvimento integral. Hoje tudo é diferente.  A educação infantil evoluiu, passou-se a dar mais atenção ao desenvolvimento total da criança, como sendo um sujeito de direitos, que precisa ser cuidada, amada, respeitada e desenvolvida em todos os seus aspectos bio-psicomotores.
O lúdico, a brincadeira é o método mais utilizado na educação infantil, pois é através deste que a criança expõe boa parte de seus sentimentos, frustrações, realizações e adquire sua autonomia. Carlos Drummond nos diz que “Brincar com criança não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é velos sentados enfileirados, em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem”. [1]
Ou seja, a escola não deve ser um espaço onde a criança fique enjaulada e sendo obrigada a engolir todo o conteúdo pragmático exposto pelo professor, mas sim um lugar onde ela possa principalmente, ter liberdade para brincar.
O ser humano naturalmente adora brincar. Mesmo nós adultos brincamos e nos divertimos, estamos sempre buscando a criança escondida dentro de nós.
São inúmeras as brincadeiras que nos traz lembranças maravilhosas de nossa infância e que foram passadas de geração em geração. Podemos destacar as mais recreativas, o esconde-esconde, pega-pega, jogar bola, brincar de taco, bola de gude, casinha, betes, carrinho, de boneca, entre outras brincadeiras que nos deixavam na rua até altas horas da noite e embalava nossa infância, o que está se tornando cada vez mais raro, em “virtude” da mecanização da sociedade, das praças e ruas cimentadas, da tristeviolência  que está a nossa volta.  Faltam os campos cheios de grama e areia, as árvores onde nos pendurávamos e pulávamos arriscando nossas frágeis perninhas, os matagais onde nossos amigos levaram tempo nos procurando na brincadeira de esconde-esconde e as árvores frutíferas que nos alimentavam quando nos esquecíamos de ir para casa almoçar.  O capitalismo está corroendo até nossas crianças, nos tornamos uma sociedade fetichizada, como já disse no século passado o grande Karl Marx.
Temos também as brincadeiras que exigem limites e regras, e que devem ser utilizadas na educação infantil, porém de forma sábia, são os conhecidos jogos. O brincar dá prazer ao ser humano. É um momento de imaginação, diversão, de profundidade, internalização com o mundo interior e exterior, comunicação, expressão, ação, exploração, é   um meio de aprender a viver, uma eterna descoberta. A Proposta Curricular de Santa Catarina em suas extensas e vastas páginas nos fala sobre o ato de brincar, onde o professor deve: “[...] organizar as ações da escola com base nos jogos e brincadeiras, visando construir na criança conhecimentos sobre o mundo, sempre levando em consideração os contextos a qual ela está inserida”.[2]
Ou seja, está bem claro que a brincadeira é muito importante para o ser humano em todos os seus aspectos. É importante fazer da brincadeira uma prática problematizadora, onde a criança busque resolvê-la de forma lúdica, sadia, olhando o ambiente onde está inserida e as formas de comunicação a sua volta. Ainda a mesma Proposta Curricular de Santa Catarina, nos diz,  “A ludicidade é outro fator importantíssimo para se trabalhar com as crianças de zero a seis anos, pois através do brinquedo ela interage com o mundo, com sua imaginação, seu corpo, sua vida, sua totalidade”.(P.C.S.C, 2005, pg. 58). [3]
Sendo assim, devemos “sempre” seguir as normas que regem nosso Estado e como educadoras levar a bandeira da brincadeira em nosso cotidiano escolar.

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NA VISÃO DE VYGOTSKY

Lev Semenovitch Vygotsky foi um educador muito importante na história educacional mundial. É dele a conhecida teoria interacionita sócio-histórica, onde tanto trabalhamos, estudamos e observamos em sala de aula.
Ele nos diz que a vivência em sociedade é extremamente importante para o desenvolvimento humano, que o homem transforma-se através do convívio com os outros e uma forma da criança socializar-se com o mundo a sua volta, é através da brincadeira grupal. Para aplicar na prática sua teoria do desenvolvimento intelectual é preciso que a criança o adquira socialmente, ou seja, para ele todo o conhecimento é adquirido e construido em sociedade. Sendo assim, o professor deve propiciar momentos de interação entre os educandos, onde eles possam socializar suas brincadeiras, trocar ideias, conceitos, ideais, mas sempre é preciso lembrar que o educador jamais deve interferir no brincar da criança, conforme o pensador em questão é preciso deixar a criança brincar livremente, o professor deve ser mediador, observador, das suas ações.
É importante que coloque à frente da criança brinquedos de diversas cores, tamanhos, expesuras e deixar que ela escolha livremente qual brincadeira quer e com qual amigo deseja brincar. Para ele a brincadeira preenche todas as necessidades que a criança venha ter em sua infância, ele entende o termo necessidade como uma motivação do ser humano e não apenas como algo de sobrevivência, de necessidade física. Vygotsky (1996, p. 121), nos diz que brincadeira é,  [...] “Tudo aquilo que é motivo para a ação” [...] é uma atividade caracterizada por ações que satisfazem necessidades.[4]
A brincadeira é muito importante para o desenvolvimento do ser humano em todos os seus aspectos. Vygotsky nos fala sobre a importância do jogo também porque atua na zona de desenvolvimento proximal, ou seja, faz com que o sujeito crie condições de adquirir conhecimento, valores, socialize e imagine fatos e situações problematizadoras. É na brincadeira que ela adquirirá  conceitos importantes perante a sociedade, como regras, comportamentos, hábitos e internalizará seu mundo real com o imaginário ativando seu desenvolvimento cognitivo.  Ele analisa os jogos que desenvolvem a memória como de suma importância para a criança, ela sempre os brincará em conjunto e sua teoria sempre está baseada na relação em grupo. Segundo Vygotsky (1996, p. 128)[5]
“O jogo da criança não é uma recordação simples do vivido, mas sim a transformação criadora das impressões para a formação de uma nova realidade que responda às exigências e inclinações dela mesma”. (VIGOTSKY, 1996, p. 128).  

É evidente que a teoria de Vygotsky está baseada na interação que o indivíduo tem com o mundo a sua volta e é através das brincadeiras na educação infantil que a criança terá este convívio mais intenso, pois o brincar é o método mais utilizado neste período e ele destaca que o brincar é o que realmente desenvolve positivamente a criança em todo seu aspecto intelectual.



[2] PROPOSTA CURRICULAR DE SANTA CATARINA. Secretaria Estadual de Educação e Desporto, 2005.
[3] Obra citada, pg. 58
[4]  VIGOTSKI, L. S. A Formação Social da Mente. SP, Martins Fontes, 1996, p. 121.
[5] VIGOTSKI, L. S. A Formação Social da Mente. SP, Martins Fontes, 1996, pg. 128

segunda-feira, 13 de maio de 2013

A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NA IDADE MÉDIA


RESUMO  

       A educação sempre foi vista como um processo de constante transformação. Evolui e muitas vezes também decai o que assusta a todo educador que busca cada vez o melhor para a educação. Durante muitos anos a educação teve grande influência da igreja católica, que governada e coordenava as escolas que passaram a ser centros de evangelização e não um local de acolhimento, onde há aprendizagem. Dentro deste pequeno artigo, mostraremos um pouco sobre a história da educação brasileira no período feudal.

Palavras-chave: Catolicismo; Educação ; Evangelizar.
           
1 INTRODUÇÃO  

A educação sempre passou por inúmeros processos, modificações, evoluções e até decadências para chegar até os dias de hoje.
Conhecer a história da educação é preciso, pois tudo se recorre à história.
A educação brasileira foi muito marcada pela vinda dos Jesuítas, que vieram para evangeliza, no entanto acabaram alfabetizando os colonizados e dando inicio ao processo educacional brasileiro.
Os jesuítas são os descendentes dos cristãos da Idade media, que criaram mosteiros e pregavam o evangelho para a nobreza européia, contribuindo, em partes, para a educação que hoje conhecemos, foi com eles que surgiu a escolástica.
Dentro de nosso pequeno artigo, buscaremos compreender um pouco mais sobre a história da educação na idade media e sua influência em nossos dias. 


2. HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO MEDIEVAL


A educação e sua complexidade. Há muito tempo ouvimos falar sobre os rumos da educação mundial e brasileira, sendo um processo que está em constante mudança.
Sempre que quisermos saber sobre algo relacionado à educação, precisamos recorrer à história.
A Idade Média inicia-se basicamente no século IX. Foi o período em que a educação menos se destacou, pois era muito controlada pelas forças religiosas do catolicismo.
Durante muito tempo, no Mundo Antigo, inúmeros estudiosos e pensadores se destacaram dentro do campo da educação, podemos citar assim Sócrates, Platão, Aristóteles, entre outros, que tantos benefícios nos trouxeram.
Infelizmente não podemos dizer o mesmo da Idade Média. Poucos foram os verdadeiros pensadores que se destacaram e trouxeram relevantes mudanças para este campo, até porque após a vinda de Cristo, o chamado cristianismo passou a Omar conta de tudo, inclusive da educação que passou a seguir seus rumos e suas ideologias.
O professor não tinha autonomia, em suas maiorias eram padres que lecionavam, pregavam o seu evangelho, “socavam” este conhecimento em seus alunos.
Lembramo-nos da vinda dos Jesuítas para o Brasil, pois vieram para evangelizar e percebendo que precisariam alfabetizar os índios para pregar-lhes o evangelho, passaram a ensiná-los a ler e escrever, dando inicio assim a história da Educação Brasileira.
A escola clássica, criada por Platão, a chamada escola de Atenas é derrubada pela ideologia cristã.
Segundo Manacorda (2000, p.122),


"Pode-se dizer, considerando as iniciativas educativas do clero secular e do clero regular, que mudaram os conteúdos, e que dos clássicos da tradição helenístico-romana passou-se para os clássicos da tradição bíblico-evangélica".



 A Europa medieval teve o inicio do seu apogeu religioso educacional com a escolástica, criação de escolas para evangelizar e alfabetizar no governo de Carolíngio, pois construíram vários mosteiros, conventos, a escola Palatina referência para vários pontos da Europa, porém foi sobre o governo do grande Carlos Magno que surge o primeiro programa de educação da nobreza e são trazidos vários religiosos para fazerem este trabalho. E assim, criam-se mosteiros, onde apenas os nobres freqüentavam, achando que estavam sendo alfabetizados e educador, pura ignorância, pois o que lhes interessavam era o evangelizar.
De acordo com Martins (1993, p. 38):


Frequentavam esta escola o próprio imperador, os príncipes e os jovens da nobreza. Ao lado desta instrução e educação ministrada aos jovens da nobreza por eclesiásticos, a Idade Média oferece-lhes ainda uma educação militar e cortezã, educação à qual, desde cedo, a Igreja procurou também imprimir uma orientação religiosa e doutrinal.


O grande pensador aristotélico da idade média foi São Tomás de Aquino, que levou para toda Europa os rumos e conceitos da escolástica medieval. Já o conhecido Santo Agostinho tinha opinião contrária ao de Aquino e por isso foi muitas vezes castigado. Para Aquino não havia relação entre a metafísica (estudos além da física) e a teologia, para ele a escola era espaço para a reflexão e discussão, bem como aplicação da lógica doutrinaria da Igreja Católica.
Santo Agostinho pregava o amor à fé, e o educar ao amor.
Segundo Teles (2010, p. 43),


“Agostinho vai filosofar sem perder a fé. Ele defende que a fé trás o saber, e que o saber trás a fé. E é assim que o homem vai conquistando a sua felicidade. E esta deve ser a finalidade única da Filosofia”.


A igreja influenciou muito no comportamento das pessoas, em seu modo de agir, pensar, na psicologia como um todo.
As disciplinas que eram estudadas nas escolas cristas, eram todas relacionadas a igreja, destacamos a Filosofia ligada ao cristianismo onde apenas a ideologia cristã era aceita, não havia o pensar, apenas o fazer, haviam as artes liberais,  o trivium (Gramática, Retórica e Dialética católica) e o quadrivium (Aritmética, Geometria, Música e Astronomia), onde a liberdade de expressão era algo inexistente e se alguém quisesse ou tentasse agir de forma diferente, era cruelmente castigado e muitas vezes levados a morte.
Com o fim da Idade Média, a educação passou a ser vista como um processo que molda e transforma as pessoas, passou a ter a concepção que hoje conhecemos a de educar. É claro que passou por muitas crises e inúmeras mudanças para chegar a isso. Mudanças que levaram educadores à forca e outros ao suicídio.


6. CONCLUSÃO

Conhecer nossa história e os rumos da educação nos propicia não apenas o conhecimento, mas a compreensão de todos os processos que a educação passou para chegar até aqui, e através disso percebermos o porquê de tantas injustiças e deformações.
É sempre bom estarmos buscando novos conhecimentos relacionados a educação e a universidade nos possibilita buscar este conhecimento que nos será útil em todos os dias de nossa vida educacional.
 Compreendo que a educação só será cada vez mais possível se lutarmos fortemente pó sua melhora.


7.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MANACORDA, Mario Alighiero. História da educação: da antiguidade aos nossos dias. 8ª ed. São Paulo: Cortez, 2000.
MARTINS, Ferreira Roberto. “Sociologia da Educação”, São Paulo – SP: Editora Moderna, 1993.
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