sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

EDUCAÇÃO INFANTIL: HISTÓRIA, METODOLOGIA, ABORDAGEM PEDAGÓGICA E ASPECTOS LEGAIS

EDUCAÇÃO INFANTIL: HISTÓRIA, METODOLOGIA, ABORDAGEM PEDAGÓGICA E ASPECTOS LEGAIS
“A educação do homem começa no momento do seu nascimento; antes de falar, antes de entender, já se instrui”. (J –J ROUSSEAU)

INTRODUÇÃO



O trabalho aqui apresentado relata um pouco da história da educação, seus atropelos, fracassos e suas conquistas, bem como os ajustes sociais se a embalam até os nossos dias.
Abordamos temas como a história da educação, as tendências pedagógicas que as cercaram e ainda a cercam, como a tradicional, progressista, libertadora, positivista, behaviorista, sócio – histórica e critica – dos-conteúdos.
Buscaremos mostrar às leis que muitas vezes ficam apenas no papel, a nova LDB, a questionável lei dos nove anos e as experiências adquiridas em todos os meus estágios, seja de acompanhamento ou regência, também as maiores dificuldades encontradas.
Sabemos que a educação é algo difícil de ser trabalhado, porém não impossível, assim como nos dizem os muitos teóricos que estudamos, a educação vai muito além do que apenas lecionar, o importante é cravar o conhecimento no educando.
Com este trabalho tentei mostrar um pouco da riqueza da educação atual, bem como o contexto histórico que a envolve.



1. EDUCAÇÃO INFANTIL

"A educação é o processo pelo qual o indivíduo desenvolve a condição humana, com todos os seus poderes funcionando com harmonia e completa, em relação à natureza e à sociedade. Além do mais, era o mesmo processo pelo qual a humanidade, como um todo, se elevando do plano animal e continuaria a se desenvolver até sua condição atual. Implica tanto a evolução individual quanto a universal." (Froebel)

1.1 RESGATE HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO INFANTIL

Para resgatarmos a história da Educação Infantil precisamos analisar e lembrar o que é a infância.
Infância é o período em que a criança desenvolve sua noção de vida, é fazer tudo o que se quer, é brincar, correr, pular, é criar o seu próprio mundo, é imaginar.
Para Oliveira:
“Infância é uma construção histórica e social, coexistindo em um mesmo momento múltiplas idéias de criança e desenvolvimento infantil”. (OLIVEIRA, pg. 44)


Ser criança vai muito além, mas nosso foco está centrado na história da educação infantil. Poucos sabem que no século IV a.C, na Grécia Antiga com Platão já existia um espaço reservado para atender aos pequenos, podendo assim dizer que a Educação Infantil passou a existir com a Academia de Platão, também conhecida como Escola de Atenas. Ao nível de Brasil, podemos dizer que até a metade do século XIX, não havia instituições infantis, podemos dizer que havia orfanatos onde eram deixadas na giratória as crianças que eram abandonadas por suas mães. Na segunda metade deste século, com a Proclamação da Republica e a Abolição da Escravatura surgiram vários problemas referentes a infância, sendo assim criadas instituições de Educação Infantil, adotando modelos estrangeiros, principalmente o francês. Conforme Oliveira,
“O jardim da infância era mais um desses produtos estrangeiros que foi recebido com entusiasmo por alguns setores sociais”. (OLIVEIRA, pg. 47)
É claro que houve muita discussão em torno disso, assim como tudo na vida, pois alguns políticos da época achavam que os jardins da infância não deveriam ser mantidos pelos poderes públicos, pois eram dotadas como instituições de caridade, onde havia apenas crianças pobres.
Naquela época, não se levava em consideração à educação infantil, ou seja, as crianças eram tachadas como alguém que não precisava brincar se relacionar, era a miniatura de um adulto, algo superado em nossos dias atuais, como diz Kramer,

“...a infância nos remete a fantasia, a imaginação, a criação, ao sonho coletivo, a história presente, passada e futura”. (KRAMER, pag. 36)
Naquela época a criança não era considerada criança e se pararmos para pensar até hoje é assim, até certo ponto, é claro. Voltando a história, no ano de 1875, foi criado no Rio de Janeiro o primeiro Jardim da Infância por Menezes Viera e dois anos depois foi adaptado em São Paulo, onde também foi criado em 1988 por imigrantes norte-americanos batistas, o jardim da infância Caetano de Campos. Surgiram outras instituições na Bahia, mas ambas estavam sob o cuidado das instituições privadas e somente alguns anos depois passaram ao domínio do poder público, mas ainda visando atender a população rica. Conforme Lopes,
“Os jardins da infância à princípio serviam as famílias da Corte, um lugar propício para o seu desenvolvimento e ao cultivo de bons hábitos”. (LOPES, pg.472)
No ano de 1882, Rui Barbosa apresentou um projeto de auxilio as crianças menos favorecidas para que estas tivessem direito a bom atendimento nas escolas. A partir daí surgiram associações para cuidar das crianças, sejam saúde, direitos sociais, assistenciais, tanto para o pobre quanto para o rico. A Associação Protetora da Infância Desamparada foi uma das primeiras entidades que se preocupou com esta questão em âmbito nacional. Varias creches foram sendo criadas a partir daí, em 1910 já havia 18 escolas maternais e 17 creches – asilos no estado do Rio de Janeiro, e quatro anos depois se deflagrou por todo o país. Já em 1909 o jardim de infância passou a receber o nome de pessoas importantes do Brasil e do mundo, como vemos hoje em nossos dias.
Em 1920 o Instituto de Proteção e Assistência a Criança do Rio de Janeiro - IPAI decidiu fazer uma conferencia intitulada “Cuidados da Infância” que objetivava propostas para cuidar das crianças de nosso país. Não podemos descartar as creches que foram criadas visando atender aos filhos dos funcionários, como a creche da Fabrica de Tecidos Corcovado no Rio de Janeiro e em São Paulo a partir de 1920 a legislação já previa a instalação de escolas maternais junto as fabricas que ofereciam as crianças alimento, proteção medica e um bom ambiente de “estudo”, mas nem todas as fabricas tinham condições de fazer isso.
Em 1925 é criado o cargo de inspetor para escolas maternais e creches, sete anos mais tarde o IPAI define o jardim da infância como uma instituição que atenderia crianças de 0 a 6 anos, divididas em berçário, maternal, jardim e pré. De 1933 a 1947 foram criados instituições e departamentos de apoio à criança.
Ainda na década de 40 vimos a influencia de vários teóricos como Froebel e Dewey em nossa educação e neste período surgem também à preocupação maior com a higiene na educação, e as creches passaram a ter um caráter assistencial-protetoral.
Em 1942 é criada a “Casa da Criança”, onde agrupava creche, escola maternal, jardim da infância, escola primária e grupos de assistência, tudo em um mesmo lugar, já dez anos depois, lutava-se para que houvesse nas creches caixas de areia, bolas, blocos de madeira, roupas de boneca, livros de pano, brinquedos, caixinhas, cubos e outros recursos necessários para o processo de ensino-aprendizagem. Surgiram também psicólogos que pudessem ajudar e auxiliar os professores nas instituições educacionais.
Na segunda metade do século XX, com o aumento do capitalismo e do poder econômico adotado pelo país, mais mães de famílias procuraram os jardim de infância, a fim de deixar os seus filhos para trabalharem, pois a oferta de emprego aumentou e muito para as mulheres.
No ano de 1961, a educação sofreu uma grande mudança com a implantação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional-LDB 4024/71, que buscava implantar os jardins de infância no sistema de ensino. A lei dizia que as crianças com menos de sete anos deveriam ser atendidas nas creches e jardins de infância, possibilitando0lhes um bom aprendizado.
Na ditadura militar o que prevalecia eram a política de ajuda as instituições filantrópicas de educação, e foi na ditadura realizada a renovação da LDB 5692 que implantou o ensino fundamental de 8 anos que trouxe desastrosas conseqüências à educação infantil, além de surgir vários debates sobre a “privação cultural” que sofriam os menos favorecidos.
Como aumento da demanda da pré-escola, foi incentivado o processo de municipalização da educação infantil, onde cada município cuidaria da educação de crianças de 0 a 6 anos e em 1974 o MEC cria o Serviço de Educação Pré -Escolar e assim foi visto que nem todas as crianças eram atendidas na pré-escola sendo assim, o poder público precisou rever as iniciativas de atendimento as crianças. Já era visível a decadência das creches e a falta de infra-estrutura para atender a todas as crianças, em instituições comunitárias a própria comunidade buscou soluções para resolver o problema.
Em 1980 o trabalho pedagógico foi posto em questão e os professores buscaram melhores meios de ensino e reclamaram que não eram bem remunerados e os programas do governo não atendiam a todas as escolas infantis.
Com o termino da Ditadura Militar. Em 1985 foi dada uma atenção maior para as creches do país, onde a escola deixasse de ser uma instituição assistencialista e passasse a ser instituição que buscasse o desenvolvimento lingüístico e cognitivo das crianças. Com vários movimentos produzidos por professores em 1988 foi implantado na Constituição o reconhecimento das creches e a escola como um direito da criança e dever do Estado.
No ano 90 foram criados programas pedagógicos na TV para as crianças de educação infantil, visando o desenvolvimento cognitivo destas.
A criança passou a ter mais direitos, pois foi oficializado o Estatuto da Criança e do Adolescente, a nova LDB que buscava um novo modelo de Educação Infantil e o MEC garantiu direitos à criança com menos de 6 anos a uma educação de qualidade.
Mas foi no ano de 1996 com a nova LDB também conhecida como Lei Darcy Ribeiro que a educação infantil passou a ser reconhecida como a etapa inicial da Educação Básica e garante à todas as crianças o direito de uma boa educação, onde esta possa desenvolver-se cognitivamente, socialmente, biologicamente e fisicamente.
Após a década de 20 com o aperfeiçoamento e a valorização da educação infantil, foi visto que a mortalidade infantil e outros problemas relacionados à infância diminuíram.
Hoje ainda buscamos valorizar a educação infantil, pois as crianças têm os seus direitos, mas muitas vezes sabemos que eles só ficam no papel.



1.2 METODOLOGIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL

Muitos são os métodos utilizados para trabalhar com a educação infantil, com crianças de zero a seis anos de idade. Um deles conforme a Proposta Curricular de Santa Catarina é organizar as ações da escola com base nos jogos e brincadeiras, visando construir na criança conhecimentos sobre o mundo, sempre levando em consideração os contextos a qual ela está inserida.
O método de ensino deve visar o desenvolvimento da criança, buscando trabalhar todos os ambientes que a envolve, onde haja pratica problematizadora, onde as crianças tenham voz e vez.
A ludicidade é outro fator importantíssimo para se trabalhar com as crianças de zero a seis anos, pois através do brinquedo ela interage com o mundo, com sua imaginação, seu corpo, sua vida, sua totalidade. O brinquedo cantado é algo indispensável na Educação Infantil, as cantigas de roda, todas as musicas infantis, ajudam a desenvolver a linguagem da criança, algo que também envolve a razão e a emoção.


“Cantigas e rimas aliadas a gestos e danças, auxiliam no desenvolvimento lingüístico e físico da criança”. (P.C.S.C. pág. 58)
É através da musica que expressamos os nossos sentimentos, é ali que o professor perceberá se a criança sofreu ou sofre abuso sexual, violência ou outro problema que a envolve. É muito importante fazer a contextualização da musica, desenha-la, interpreta-la visando desenvolver as percepções táteis, visuais e sensoriais, além das motoras é claro.
Mais uma vez percebemos a importância do lúdico que falta muito em nossas escolas, os jogos, histórias, dramatizações, auxiliam nas múltiplas linguagens da criança.
As historias, fantasias, magia são importantíssimas para desenvolver a linguagem literária da criança, lembrando sempre que é na Educação Infantil que a criança compreende e aprende com facilidade as coisas, principalmente adquire o habito da leitura.
A linguagem matemática é algo trabalhado com muita dificuldade nas creches, pois se ensina as regras e não o conceito. O jogo, blocos lógicos, figuras geométricas, quebra-cabeça, tangram, são meios concretos que ajudam a desenvolver esta linguagem, a criança precisa tocar no objeto, senti-lo, colocar na boca muitas vezes, mas é assim que ativa a sua capacidade cognitiva.
Conforme a P.C.S. C,

“A organização espacial é outro principio norteador da pratica pedagógica que pode, dependendo de sua estruturação facilitar ou dificultar a vivencia da infância”. (P.C.S. C, pg 62)
Vi em muitas escolas por onde passei, seja estudando ou trabalhando ou regendo meus estágios, a precariedade destas, onde as salas são pequenas, com péssima infra-estrutura, com pouca alimentação, falta de higiene, sendo assim, o processo de ensino aprendizagem torna-se difícil. Grandes partes das creches possuem um espaço externo para as crianças brincar, o parque é muito importante para o seu desenvolvimento, desde que os professores não o utilizem como fonte para “matar aula”, fofocar e sim como enfoque o desenvolvimento motor da criança.
Toda escola, seja infantil ou não, precisa ter um Projeto Político Pedagógico, onde os professores e toda a comunidade escolar possam basear-se para lecionar com sucesso.
A criança é o sujeito de ensino e desde pequena precisa aprender e descobrir o mundo, o professor deve facilitar a aprendizagem e não deve esquecer que tudo na vida tem o seu tempo e na educação não é diferente, ela tem etapas e não deve ser puladas. A criança aprende dentro de suas potencialidades.
Não podemos nos esquecer que a criança precisa desenvolver a sua autonomia, esta não pode viver dependente de tudo e de todos, ela precisa aos poucos aprender a fazer as coisas por sua própria conta e o professor junto com a família devem fazer este trabalho, a criança também precisa desenvolver a sua capacidade de pensar, fantasiar, imaginar, refletir, a criança cria um mundo dentro de si, ilusório as vezes, mas necessário ao seu desenvolvimento.
A criança é um ser que precisa ser amada e cuidada, pois muitas vezes sabemos que a criança não tem o amor que precisa de seus primeiros educadores, pois conforme Rousseau,

“Vossos pais serão seus primeiros educadores.” (Rousseau, pag. 147)
Sendo assim, quando não possuem este amor, tem a esperança de na escola encontrá-lo e o professor deve estar preparado para isso, pois hoje o professor já assumiu outro papel, além do de educar, amar, cuidar, o papel de ser um pai e uma mãe para, mas crianças conforme Perrenot nos diz em suas competências que uma pessoa precisa ter para ser um educador de sucesso.
Agora me vem à mente algumas perguntas que não querem calar, será que estamos preparados para cumprir mais este papel? As instituições que formam professores estão preparadas para mostrar aos educadores os problemas existentes em torno da educação? Não podemos nos esquecer que milhares de crianças passaram por nossa vida de educadoras, mas temos a oportunidade de fazer a diferença com cada uma dela, basta apenas amarmos o que fazemos e buscarmos sempre o melhor para nós e para quem está em nosso torno escolar.


1.3 ABORDAGEM PEDAGÓGICA

A escola e sua complexidade. Sabemos que a instituição de educação infantil tem muitos papéis, o mais importante é desenvolver as habilidades cognitivas, afetivas, e coordenadoras das crianças. As escolas de educação infantil, os jardins de infância, eram vistos como instituições assistenciais, um lugar onde as crianças ficam enquanto os seus pais trabalham. Ali se alimentavam, tinha todo a atendimento médico, mas apenas de cunho assistencial. Com o decorrer dos anos, passou a ser uma instituição centrada na criança, visando desenvolver as coordenações sensoriais, táteis, afetivas e cognitivas como já abordamos.
A educação passou por muitos períodos e teve muitas modificações em torno dela.
Tivemos muitas tendências pedagógicas.
A pedagogia de Skinner, se é que podemos chamar assim, foi muito condenada no século passado, tomou conta de muitos países até o ano de 1950. Modificou o processo educacional, ficou conhecido como behaviorismo. Tudo era imposto ao aluno, que fazia tudo o que o professor mandava. Se pararmos para pensar, ainda hoje temos muitos professores behavioristas que impõem algo às crianças, alunos e querem em determinado tempo, sem liberdade de escolha. Sua teoria baseia-se na idéia de que o aprendizado ocorre em função de mudanças no comportamento que são o resultado de uma resposta individual a estímulos que ocorrem no meio em que vivemos.
Não podemos nos esquecer de citar o castigo que surgiu com a teoria behaviorista de Skinner em seu condicionamento operante que ainda é visto em vários lugares, uma herança trágica que Skinner nos deixou.
Outra tendência que temos e que ainda é usada e muito nas escolas, principalmente nas que fiz os meus estágios de educação infantil, esta tendência é a construtivista. Tem como o seu maior representante Jean-Piaget, que dizia que o aluno é o centro do processo educativo e percebi isso na escola de educação infantil NAVE-Pedacinho do Céu, onde fiz as minhas observações, ali o aluno aprendia brincando e o professor apenas o estimulava na aprendizagem. As professoras diziam as atividades e as crianças faziam como queriam e se queriam, alem de trabalharem o processo de construção do pensamento da criança. Muitos dizem que as técnicas piagetianas já estão ultrapassadas, mas é um equivoco, pois este teórico está muito vivo em nossos dias.
Cada aluno precisa de um estimulo diferente e Piaget propõe isso de uma forma muito rica e simples.
A mais sabia e importante tendência pedagógica, e podemos assim dizer mais utilizada nos dias atuais, é a interacionista sócio-histórica, onde o aluno aprende relacionando-se com o meio, aqui a escola é o meio que o aluno aprende, o professor é o intermediador da aprendizagem.
Nós aprendemos através das experiências, nas relações sociais, na interação aluno –escola, aluno –aluno e todo o processo histórico ao qual ele passou para chegar à aprendizagem do meio.
O problema, no entanto é que precisamos de uma educação a serviço de uma transformação profunda da sociedade e não podemos fazer isso tomando apenas como base um pedagogo, seja ele Skinner ou Piaget. É que precisamos recorrer a Vigotski. Sobre isso nos fala Fídias Teles,

“...detecta toda uma conexão de fenômenos e saberes capazes de produzir uma grande Pedagogia, uma filosofia da educação, elementos psicológicos, biológicos, sociológicos, e antropológicos, tudo isso é apreendido pela mente privilegiada do jovem Vigotski”. (TELES, pág. 135).
Vigotski é um dos maiores gênios da Pedagogia, pois eu vivo e me considero interacionista sócio-histórica.


1.4 ASPECTOS LEGAIS

Nós temos muitas leis que envolvem a educação infantil. É uma pena que na maioria das vezes ela fica apenas no papel.
O Estatuto da Criança e do Adolescente nos diz em seu capitulo segundo que toda criança tem o direito as saúde já dentro da barriga da mãe, com direito a acompanhamento pré-natal todo pago pelo SUS - Sistema Único de Saúde tem o direito à liberdade, ao respeito e a dignidade, direito a opinar, se expressar, freqüentar a religião que quiser brincar se divertir, jogar bola, e ser protegida. Direito a ter uma família que a ame e a proteja, seja família adotiva ou genética, tem o direito a ter mãe, pai a ser vista como um ser possível de ser amada.
O capitulo IX do Estatuto, nos deixa claro que toda criança tem o Direito a Educação, sendo respeitada pelos educadores e condições de ir até a escola, as crianças de zero a seis anos tem o direito de ser mantida pelo Estado em creches e jardins de infância onde essa possa desenvolver-se cognitivamente, tem direito à Cultura, e ser respeitada culturalmente, não importa a cor,etnia, classe social, o nome de falar ou se expressar, cada criança deve ser tratada com muito amor e respeito, ainda mais em um país rico em cultura como é o Brasil. Tem direito ao Esporte e ao Lazer.
Muitos são os direitos que o E.C. A reservou a cada criança e nós como educadoras precisamos saber quais são esses direitos para quando nos deparamos com determinadas situações que envolvam os direitos das crianças sabermos onde e a quem recorrer.
Temos também a LDB-Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que foi criada na época da Ditadura Militar em 1971, mas neste período a educação infantil não foi levada a serio, mas com a última LDB também conhecida como Lei Darcy Ribeiro que a criança ocupou o seu espaço e obteve o seu devido valor. A lei em seus três artigos assim nos diz:
Art. 29º. A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade.
Art. 30º. A educação infantil será oferecida em:
I - creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três anos de idade;
II - pré-escolas, para as crianças de quatro a seis anos de idade.
Art. 31º. Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental.
O professor da educação infantil deve valorizar as leis que envolvem as crianças, pois no momento que esta precisar de seu professor, este deve estar preparado para ajudá-la.
Outra Lei pouco conhecida é a Lei Complementar de 07/08/98 que traz em seus artigos 32, 33 e 34 ao Estado de Santa Catarina resoluções à Educação Infantil:
Art. 32. A educação infantil, nas instituições mantidas ou subsidiadas pelo Estado, em complementação às ações municipais na área, tem por objetivos:
I - o desenvolvimento integral da criança até os seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social;
II - proporcionar à criança o desenvolvimento de sua auto-imagem e o convívio no seu processo de socialização, com a percepção das diferenças e contradições sociais.
Parágrafo único. Na educação infantil, o ensino da arte e a educação física são componentes curriculares obrigatórios, ajustando-se às faixas etárias e às condições das crianças.
Art. 33. A educação infantil será oferecida:
I - para as crianças de zero a três anos de idade, em creches ou instituições equivalentes;
II - para as crianças de quatro a seis anos de idade, em pré-escolas.
Art. 34. Na educação infantil, a avaliação se fará mediante o acompanhamento e registro do desenvolvimento da criança, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental.
Não podemos nos esquecer que os direitos das crianças nos envolvem também, pois elas têm direito a um ensino de qualidade e nós precisamos ter uma formação de qualidade para passar de forma ágil, lúdica, simples e fácil o conhecimento as crianças.
Em resumo as leis nos dizem que a educação infantil deve ser valorizada e trabalhada como o inicio da educação básica. A Constituição de 1988 define que a criança de zero a seis anos é dever do Estado e valoriza a criança como alguém que precisa de cuidados e de aprendizado. Pouco tempo depois, a educação infantil passou a ser de responsabilidade dos municípios, e as creches passaram a ser objetos de rígidas fiscalizações e a criança passou a ser o alvo de proteção.
A Lei diz que cada criança tem o direito à vida, a saúde, à alimentação de qualidade, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, dignidade, respeito, à liberdade e a convivência familiar.
A educação infantil deve visar como já falamos o desenvolvimento físico, psicológico, intelectual e social da criança, assim como nos diz as Leis que regem a educação infantil.
2. CONCLUSÃO
A educação é algo muito complexo e sei que cabe a cada um de nós melhora-la e é através dAs nossas ações, trabalho, atitude é que percebemos que a educação precisa der deflagrada de forma lúdica, pois o lúdico está muito ausente na educação infantil em todas as escolas em que eu até hoje observei ou fiz a minha regência, ou trabalhei.
Confesso que teve momentos em que eu realmente não queria continuar mais. Mas aos poucos o chamado, amor ao compromisso social fala mais alto e a vontade de lutar pelas crianças faz-se mais importante. Fiz este pequeno trabalho para ajudar meus amigos de profissão, uma ajuda teórica, pois a prática é por parte de cada um de nós, algo individual.
2. REFERÊNCIAS
KRAMER, Sonia. “Infância e Desafios da Pesquisa” – São Paulo – SP – Papirus, 1997, 2ª edição.
LDB-Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 1996.
LIBÂNEO, José Carlos. “Didática”-São Paulo-SP, Cortez, 1994
Proposta Curricular de Santa Catarina – Estudos Temáticos, Florianópolis – SC, IOESC, 2005.
Parâmetros Curriculares Nacionais - Introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais – Secretaria de Educação Fundamental, 2ª edição, Rio de Janeiro, DP&A, 2000.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. “Emilio”.
TEIXEIRA, Anísio. “A Educação no Brasil” – São Paulo – SP, Companhia das Letras, 1971.
TELES, Fidias. “Filosofia Para o Século XXI”, - Erechim –RS – São Cristóvão, 2003.
www.portal.mec.gov.br

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